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Empreender e maternar: quando a sobrevivência estrutura o negócio

Como a maternidade reorganiza trabalho, renda e decisão – e transforma a gestão em base de sustentação. 

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Por Redação Feito.Itaú em
Imagem de uma empreendedora com o filho no colo em uma loja de roupas

No Dia das Mães, muitas histórias de trabalho e renda no Brasil começam no mesmo ponto: a chegada dos filhos. Para um número crescente de mulheres, é nesse momento que o empreendedorismo deixa de ser um plano distante e passa a se tornar uma solução concreta para reorganizar a rotina, garantir sustento e buscar mais flexibilidade no dia a dia. 

Os dados do Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME) ajudam a dimensionar esse movimento: 77% das mulheres iniciam seus negócios após a maternidade. O que esse número revela vai além de uma escolha individual, aponta para uma reorganização estrutural da renda e da própria ideia de carreira. Hoje, 70% das empreendedoras do país são mães, evidenciando como o acesso à autonomia financeira tem sido construído, cada vez mais, fora do mercado tradicional. 

Nesse contexto, sustentar um negócio depende não apenas de iniciativa, mas de estrutura. O acesso a capacitação, orientação e rede passa a ocupar um papel central nessa trajetória, e iniciativas como o Itaú Mulher Empreendedora (IME) se conectam a essa realidade ao apoiar, de forma prática, quem precisa fazer o negócio funcionar todos os dias. 

O que transforma necessidade em crescimento sustentável 

Essa reorganização de vida ganha forma em decisões que não estavam no plano original, mas que passam a fazer sentido diante da realidade. Não por acaso, 55% das mulheres que empreendem começam por necessidade, e 95% associam a renda própria à independência, segundo o Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME). Ao mesmo tempo, 73% convivem com dívidas e 43% estão com contas em atraso, um cenário que evidencia o nível de pressão sob o qual esses negócios nascem e operam. 

É nesse contexto que trajetórias individuais ajudam a traduzir o que os dados mostram. A história de Karen é uma dessas expressões. Paulistana, iniciou sua transição de carreira aos 25 anos, ainda no ambiente acadêmico como bolsista do CNPq. Após anos como professora universitária em regime CLT, foi durante a segunda gestação que a rotina deixou de ser sustentável. A demissão na pandemia, em 2020, acelerou uma mudança que já estava em curso e, em 2023, ela inaugurou sua própria clínica de estética, a Karen Tokuhashi Aesthetics

Ao sintetizar essa virada, sua fala conecta experiência individual e dado estrutural: “Sair de casa e matar um leão todos os dias só tem sentido por causa dos meus filhos.” 

A partir daí, o empreendedorismo se configura como uma reorganização concreta da vida em que o trabalho precisa se ajustar à realidade, e não o contrário. Essa adaptação, no entanto, não acontece em condições iguais para todas, e é justamente nesse ponto que o acesso a orientação prática e capacitação passa a fazer diferença. 

Se a necessidade explica o início da jornada, o que define sua continuidade é o acesso a conhecimento e estrutura. 

IME transforma aprendizado em crescimento 

Iniciativas como o Itaú Mulher Empreendedora (IME) atuam nesse ponto, conectando conhecimento técnico à rotina de quem empreende sob pressão e transformando aprendizado em decisões mais seguras, organização e crescimento. 

Parte dessas transformações ganha forma em trajetórias acompanhadas por esse tipo de suporte. A psicóloga Fátima Cristina Macedo, fundadora da Mental Clean, percebeu que o domínio técnico, por si só, não sustentaria o crescimento da empresa sem uma estrutura de gestão capaz de organizar a operação e dar previsibilidade ao negócio. Ao investir em capacitação, conseguiu estruturar processos, profissionalizar a rotina e escalar a operação, que hoje conta com mais de 130 colaboradores. 

Já no Rio de Janeiro, Marluce Medeiros, professora de dança e fundadora do Studio Talento e Arte, viveu uma virada semelhante. Ao profissionalizar a gestão do estúdio, localizado em Madureira, não apenas organizou o funcionamento do negócio, mas também ampliou seu impacto: transformou a escola em um polo de formação para 120 alunos de regiões periféricas e registrou um aumento de 50% nos lucros. 

Nos dois casos, o ponto de virada não está na ideia inicial, mas na forma como o negócio passa a ser conduzido. Os exemplos mostram um padrão: o talento inicia a jornada, mas é a organização que sustenta o crescimento e ajuda a reduzir a pressão do dia a dia. 

A gestão como alicerce de sobrevivência 

Para muitas mulheres, o empreendedorismo nasce da necessidade de equilibrar maternidade e renda. Mas é na gestão que esse equilíbrio se mantém ou deixa de se sustentar ao longo do tempo. 

Os dados da pesquisa do Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME) mostram o tamanho desse desafio: 6 em cada 10 empreendedoras faturam até R$ 2.500 por mês, 4 em cada 10 não conseguem cobrir os próprios custos e apenas 1 em cada 10 tem um caixa considerado saudável. Em um cenário como esse, a margem para erro praticamente não existe, e a forma como o negócio é organizado passa a ser determinante para sua continuidade. 

Organizar o financeiro, planejar o fluxo de caixa e criar previsibilidade não são apenas boas práticas, são formas de reduzir risco e dar estabilidade a uma rotina já pressionada pelas demandas da maternidade. 

Isso tudo se materializa na trajetória de Patrícia Alves, empresária, mãe solo da Laura e participante do ecossistema do Itaú Mulher Empreendedora (IME). Antes da maternidade, sua rotina era marcada por maior autonomia e controle sobre o tempo. A adoção da filha, então com 1 ano e 8 meses, reorganizou completamente essa dinâmica e, com ela, o próprio critério de decisão dentro do negócio. “Na maternidade, 2 + 2 não soma 4”, resume. 

Com menos espaço para risco e improviso, suas decisões passaram a priorizar estabilidade e previsibilidade, ajustando o ritmo de crescimento à realidade da vida como mãe. Mais do que expandir, era preciso garantir que o negócio funcionasse de forma consistente no dia a dia. O resultado é um crescimento que continua acontecendo, mas dentro de limites sustentáveis, aqueles que mantêm o equilíbrio entre trabalho, renda e cuidado.  

Redes de apoio como infraestrutura de decisão 

Mesmo com organização e decisões mais estruturadas, a rotina de quem empreende e materna continua atravessada por uma sobrecarga constante. Dados do Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME) ajudam a dimensionar esse cenário: 7 em cada 10 empreendedoras se sentem cansadas e sobrecarregadas, metade gostaria de mais apoio nas tarefas domésticas e 4 em cada 10 relatam impactos nos relacionamentos. Esses números evidenciam um limite claro: existe uma dimensão dessa equação que não se resolve apenas com gestão. 

Isso acontece porque gerir o negócio, nesse contexto, não é uma atividade isolada. A gestão se estende para a vida e envolve administrar o tempo, distribuir energia e tomar decisões que impactam não só o crescimento da empresa, mas a sustentação da rotina como um todo. 

É nesse ponto que o esforço individual encontra seu limite. Mesmo com organização, previsibilidade e controle, a ausência de apoio externo mantém a pressão elevada e reduz a margem de decisão no dia a dia. 

Diante desse cenário, redes de apoio e capacitação passam a funcionar como infraestrutura de decisão. Programas como o Itaú Mulher Empreendedora (IME) atuam nesse ponto ao conectar empreendedoras a conhecimento aplicado, mentorias e trocas que ampliam a capacidade de decisão e reduzem a sensação de isolamento. 

Esse tipo de suporte desloca a jornada do campo individual para o coletivo, criando condições mais consistentes para sustentar o negócio ao longo do tempo e lidar com desafios antes que se intensifiquem. 

Redesenhar o possível, um dia de cada vez 

O empreendedorismo materno antecipa perguntas que o mercado formal ainda não respondeu: como gerar renda com flexibilidade real e construir estabilidade em cenários instáveis? 

Mais do que escalar rapidamente, trata-se de sustentar o presente com consistência suficiente para abrir espaço — com mais segurança — para o futuro. 

É nesse ponto que a gestão profissional, aliada a redes de apoio como o Itaú Mulher Empreendedora (IME), se consolida como estrutura. Não apenas para impulsionar crescimento, mas para sustentar uma equação mais complexa em que o sucesso seja a base que mantenha o negócio e a família em harmonia. 

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