Com o início da transição da Reforma Tributária para um novo modelo de impostos, conceitos como CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) passam a fazer parte da rotina de quem empreende. Mais do que uma mudança de siglas, esse promete ser um passo importante para simplificar o ambiente de negócios no país.
Para o empreendedor, o desafio é entender essas nomenclaturas e compreender como essa transição pode impactar o seu dia a dia. O Feito.Itaú, então, explica como são e funcionam esses novos tributos sobre o consumo.
O que são CBS e IBS e como funciona a transição
O novo modelo adota o conceito de IVA Dual (Imposto sobre Valor Agregado), dividindo a tributação em duas frentes:
- CBS: De competência federal, unificando PIS e COFINS.
- IBS: De competência estadual, municipal e do Distrito Federal, unificando ICMS e ISS.
A principal mudança não está apenas na substituição dos tributos. CBS e IBS seguem uma lógica de não cumulatividade mais ampla, em que os créditos gerados nas compras podem ser usados para reduzir os impostos devidos nas vendas, de acordo com as regras do novo sistema.
A transição começou em 2026 com uma fase de testes e adaptação. Nesse período, as empresas precisam preparar sistemas, documentos fiscais e processos para os novos campos de IBS e CBS. A mudança será gradual nos próximos anos. Em 2027, a CBS entra de forma plena com a extinção de PIS e Cofins, enquanto a substituição de ICMS e ISS pelo IBS avança entre 2029 e 2032, até a conclusão da transição em 2033.
Esse período exige atenção já que, até 2033, empresas terão de acompanhar mudanças em diferentes momentos. Para garantir consistência nesse processo, em entrevista exclusiva ao Feito.Itaú, a advogada e consultora jurídica Olga Grillo alerta que o foco deve estar na precisão. “O maior risco é o erro de parametrização e classificação nos sistemas, que gera inconsistências acumuladas.”
Por isso, revisar a configuração dos sistemas de gestão, a emissão das notas fiscais e a classificação das operações ganha importância desde o início da transição. Quanto mais organizadas estiverem essas informações, menor tende a ser o risco de erros à medida que CBS e IBS avançam.
Como CBS e IBS vão funcionar
Embora façam parte do mesmo modelo, CBS e IBS têm formas diferentes de administração. A CBS é federal. A cobrança será feita pela União e seguirá as mesmas regras em todo o país.
Já o IBS pertence a estados e municípios e será administrado pelo Comitê Gestor do IBS. Mesmo com essa gestão compartilhada, o tributo terá uma legislação única nacional, em vez de diferentes regras de ICMS e ISS conforme o estado ou município, ainda assim, cada ente federativo poderá fixar suas próprias alíquotas.
Apesar dessas diferenças, CBS e IBS funcionam de maneira parecida. Os dois seguem o modelo de Imposto sobre Valor Agregado, o IVA, em que o imposto pago nas compras da empresa pode gerar créditos para reduzir o valor devido nas vendas.
Imagine que uma empresa compra materiais, insumos ou serviços necessários para sua atividade, os valores de CBS e IBS pagos nessas compras podem gerar créditos. Depois, quando essa empresa vende seu produto ou serviço e calcula os tributos que deve pagar, poderá usar esses créditos para abater parte desse valor devido como tributo, de acordo com as regras do novo sistema.
Essa lógica é chamada de não cumulatividade e faz com que acompanhar compras, notas fiscais e créditos de CBS e IBS ganhe mais importância na gestão do negócio.
O que muda com CBS e IBS em 2026 e 2027
A chegada da CBS e do IBS será gradual. Em 2026, o foco está nos testes do novo sistema e na adaptação de notas fiscais, sistemas e processos.
A fase de testes prevê o destaque de alíquotas de 0,9% de CBS e 0,1% de IBS. Esses percentuais fazem parte da preparação para o novo modelo e não representam aumento da carga tributária ou recolhimento adicional.
Em 2027, a transição tributária também avança em outras frentes:
- PIS e Cofins deixam de existir, dando lugar à CBS.
- A CBS passa a valer no novo modelo, enquanto o IBS continua em fase de transição.
- ICMS e ISS ainda permanecem por alguns anos e começam a ser substituídos gradualmente pelo IBS nas etapas seguintes.
Por isso, a mudança não acontece de uma vez. Durante alguns anos, as empresas terão de acompanhar etapas diferentes da CBS e do IBS enquanto parte das regras atuais continua valendo. Manter sistemas de emissão de notas atualizados e acompanhar o cronograma do próprio regime tributário ajuda a reduzir erros durante essa adaptação.
Como aumentar a previsibilidade financeira na transição
A consultora jurídica destaca que, neste novo cenário, a inteligência financeira depende da capacidade de projetar cenários e utilizar as soluções bancárias como extensões do planejamento estratégico. Entre os serviços recomendados pela consultora para apoiar a organização do capital de giro, destacam-se:
- Antecipação de recebíveis inteligente: Solução que permite manter o ciclo de caixa equilibrado mesmo com as mudanças na retenção tributária.
- Gestão de fluxo de caixa integrada ao ERP: Conexão direta que elimina o retrabalho e traz visão sistêmica da saúde financeira.
- Relatórios automáticos de projeção: Funcionalidades que evidenciam, com clareza, como o split payment impacta diretamente as contas da empresa.
- Soluções de crédito rápidas e personalizadas: Linhas prontas para cobrir descasamentos temporários que podem surgir durante o período de adaptação às novas alíquotas.
"Isso permite que a empresa mantenha o ritmo operacional sem apertos desnecessários", analisa Olga.
Prepare sua empresa para o novo padrão de emissão
Para quem é MEI ou optante pelo Simples Nacional, embora exista a preservação do regime, a adaptação também é necessária.
A transição tributária pode ser um processo planejado e seguro, garantindo que sua empresa esteja sempre em conformidade com as novas exigências fiscais.
Dica Feito.Itaú: Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta a especialistas tributários ou contadores para adequações específicas do seu segmento.
